Tudo na vida tem a hora certa
Como eu cheguei até aqui?Â
Como a Thá, eu também acredito em detsino. Acho que essa oportunidade estava reservada para mim. Sou jornalista, e estou sem emprego fixo há 8 meses, vinha procurando trabalho em várias partes do paÃs. No dia 18 de março meu irmão voltou de um intercâmbio de trabalho nos Estados Unidos, e vários amigos dele vieram aqui em casa para vê-lo. Uma das amigas do meu irmão me contou sobre a experiência dela como cast member no ICP (International College Program, programa de trabalho para universitários, com duração de 2 meses), falou muita coisa bacana sobre a oportunidade de trabalhar na Disney e disse que tinha sido convidada para participar do Academic Program, mas que decidiu não aceitar porque vai se formar no final do ano e não quer atrasar a formatura. Eu fiquei muito interessada, e no dia seguinte fui ao STB aqui em Belo Horizonte para pedir mais informações. Era a última semana de inscrições! Fiz a primeira entrevista na mesma hora, preenchi um formulário, saà de lá correndo e fui providenciar foto e documentos. Na semana seguinte estava
em São Paulo para uma palestra e entrevista com 2 recrutadores da Disney.
Vocês devem estar se perguntando: mas por que uma jornalista com 5 anos de carreira, que está batalhando por um bom emprego na sua área resolveu largar tudo para ir trabalhar na Disney? Não foi uma decisão fácil. Depois da empolgação inicial, eu pensei muito no que essa experiência significaria para mim, o que eu poderia perder ou ganhar ao deixar de lado a minha procura por emprego para ficar 6 meses afastada do mercado de trabalho e ir fazer um curso que à primeira vista não tem nada a ver com Jornalismo e trabalhar em algo diferente do que fiz até hoje. Os prós pesaram mais que os contras.
O mercado de Comunicação no Brasil está muito ruim, especialmente para jornalistas. Há muito mais gente procurando trabalho do que oportunidades disponÃveis. Eu não tinha perspectivas de conseguir um emprego legal tão cedo. Talvez nos próximos meses surgissem algumas propostas, mas todas para trabalho temporário. E quando eu conseguisse algo definitivo, não sei se estaria segura. Talvez eu ficasse o tempo todo preocupada com a possibilidade de um dia estar desempregada de novo.
Vi no Academic Program não só a chance de realizar o sonho de fazer um intercâmbio, mas a oportunidade de ter contato com uma outra área profissional, adquirir conhecimentos que também podem ser aplicados à Comunicação, aprimorar o meu inglês, fazer novas e grandes amizades, sem falar na experiência de viver num lugar tão distante e diferente, ter que fazer tudo sozinha e ter ainda mais responsabilidades do que eu tenho por aqui. Acredito que essa experiência vai acrescentar muito à minha vida. Profissionalmente falando, não sei o que vai acontecer depois que eu voltar. Penso em continuar mantendo contato com algumas pessoas e empresas enquanto eu estiver fora, além de escrever algumas reportagens para revistas, jornais ou sites. Quem sabe quando eu voltar eu consigo um trabalho bacana? Pode ser também que durante esses 6 meses eu descubra o interesse por uma outra profissão e decida me formar ou me especializar em outra área. E pode ser até que eu nem volte para cá, ou volte para ficar pouco tempo por aqui. Não sei. Não quero pensar nisso agora. Quero é aproveitar ao máximo a oportunidade que estou tendo, e que talvez não tivesse mais.
Eu sempre quis fazer intercâmbio, mas nunca tive condições ou chances para isso. E penso que a chance apareceu na hora certa. Não só porque eu tenho condições financeiras de bancar esse projeto sem ajuda dos meus pais, mas também porque etsou mais madura, extrovertida e independente. Se tivesse encarado uma viagem como essa durante a adolescência ou no inÃcio da faculdade, talvez tivesse muitos problemas. Eu era muito tÃmida, não sabia me virar sozinha, tinha medo de muita coisa. Mas depois que comecei a trabalhar eu mudei muito. Principalmente quando passei a trabalhar como produtora em uma emissora de tv. Vocês não imaginam a loucura que é essa função. Foi aà que aprendi a ser ágil, desinibida, correr atrás das informações que eu preciso, falar com todo tipo de pessoa, lidar com burocracia… Tenho certeza de que a experiência e os conhecimentos dos meus quase 5 anos de TV Globo vão me ajudar bastante lá em Orlando. Estou pronta para encarar esse desafio!
No próximo post: como foi o processo de seleção
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